Ciência, tecnologia e inovação a serviço da vida

Promover a ciência, a tecnologia e a inovação em benefício da sociedade

 

A pesquisa, o desenvolvimento tecnológico e a inovação são valores da Fiocruz, orientados pela ética e pelo compromisso com a qualidade de vida e com a sociedade brasileira.

 

A ciência, tecnologia e inovação (CT&I) constitui um bem civilizatório, um requerimento social e nacional, com mérito e relevância intrínsecos, devendo ser ampla, diversa e estratégica para gerar benefícios para a sociedade. Este compromisso envolve tanto a oferta de novos bens e serviços, e a concepção de novas formas de organização social e institucional em saúde, quanto avanços na geração de conhecimentos essenciais para o presente e para o futuro do País.

A CT&I constitui um pilar essencial do desenvolvimento social, humano e econômico, devendo estar articulada às necessidades de saúde e do SUS, em particular. A geração e o acesso ao conhecimento contemplam uma dimensão humana, de cidadania e de autonomia nacional para definir os destinos do País. Um país sem conhecimento científico e tecnológico, e sem capacidade para gerar e assimilar criticamente as inovações, jamais terá soberania para estabelecer políticas públicas e estratégias nacionais para o acesso universal, integral e equânime em saúde. Não existe desenvolvimento sustentável de um país se este não estiver centrado na CT&I.

A geração de conhecimentos científicos e tecnológicos e a inovação constituem-se eixo fundamental e transversal a todas as unidades e atividades da Fiocruz, conferindo sentido integrador e gerando sinergias para o conjunto da instituição. Graças ao conhecimento que produz, a Fiocruz é decisiva para a transformação social e a sustentabilidade do SUS, seja em uma perspectiva estratégica, seja para a implementação de ações de curto, médio e longo prazos. Ao mesmo tempo, devemos fortalecer a presença da Fiocruz no cenário global de ciência, tecnologia e inovação e na proposição de políticas de saúde em âmbito mundial.

A Fiocruz é responsável por uma destacada atividade científica, sendo a Instituição com maior produção na área da saúde no País. Além da qualidade e quantidade da produção científica, deve também ser destacada a abrangência desta produção. Poucas instituições contribuem em toda a cadeia de conhecimento das ciências da saúde de uma forma transdisciplinar, envolvendo o campo das ciências biomédicas, sociais e humanas e uma grande diversidade de áreas e subáreas de conhecimento em torno deste objeto que, pela sua natureza, requer uma abordagem transversal. Essa diversidade, mediante um esforço concentrado de gestão, pode se tornar nossa principal força nacional e internacionalmente.

Do ponto de vista organizacional, possuímos um histórico de programas induzidos para a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico (Papes, PDTIS, PDTSP, PROEP, PCTIS, PMA, entre outros), que, nos momentos de forte contenção das fontes de financiamento, permitiram dar continuidade a atividades essenciais. A Fiocruz participa com destaque de redes nacionais e internacionais, Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e atividades integradas de pesquisa em saúde em áreas da pesquisa clínica, da política de saúde, desenvolvimento e avaliação de tecnologias, doenças transmissíveis e negligenciadas, doenças crônicas, no campo da nanotecnologia, entre muitas outras. O conhecimento produzido tem permitido à Instituição dar respostas rápidas e cientificamente embasadas, inclusive com inovações tecnológicas, para as emergências sanitárias, como ocorreu recentemente no caso da epidemia de Zika.

Seja no desenvolvimento e absorção de novas tecnologias, seja na oferta de produtos em saúde, a Fiocruz tem reafirmado continuamente o seu papel estratégico de instituição nacional destacada na inovação na área biotecnológica, farmacêutica e de diagnóstico. As unidades tecnológicas e de produção em saúde da Fiocruz são líderes no país em suas áreas de atuação, conferindo uma base única para viabilizar as inovações tecnológicas. Atualmente, a Fiocruz é a maior instituição pública na oferta de produtos estratégicos para o SUS, com incorporação de tecnologia e inovação, e uma das cinco maiores do país. Possui a maior participação nas parcerias para o desenvolvimento produtivo (PDP), sendo a única que possui parceria para codesenvolvimento, contemplando a transferência de tecnologias estratégicas que constituem inovação em âmbito nacional e que reduzem a vulnerabilidade do SUS.

O papel inovador da área de serviços e da organização das ações em saúde também faz parte da estratégia institucional de inovação para transformar o conhecimento em benefícios sociais, envolvendo as unidades e os centros que lidam com a promoção, a vigilância, a prevenção e a atenção em saúde. Esta dimensão confere uma posição única, articulada com a geração de conhecimentos, para os Institutos Nacionais e os serviços de referência. No campo das ciências sociais e humanas e da saúde coletiva, em particular, o conhecimento gerado tem grande potencial para a formulação de políticas públicas e estratégias institucionais, envolvendo a análise, a organização, a avaliação e o fornecimento de subsídios para a conformação de modelos, práticas e formas de cuidado e de atenção à saúde.

 

Destacamos os seguintes componentes para avançarmos neste compromisso:

 

# O realinhamento e ajustes necessários devem ser continuados

para garantir a inserção adequada e o protagonismo da FIOCRUZ no campo das ciências da saúde, em uma busca permanente de associar sua capacidade de resposta às mudanças na realidade sanitária nacional e global. Deve-se, assim, efetuar, de modo permanente, atividades de prospecção de temas estratégicos para o País e que requerem esforço em CT&I, tais como o envelhecimento, mudanças no perfil epidemiológico, com a convivência de doenças infecciosas e enfermidades de origem não infecciosa, a violência e as desigualdades, articulando e fortalecendo a capacitação das unidades. Esta atividade será essencial para a elaboração e atualização de um plano institucional de CT&I, com uma visão das prioridades da FIOCRUZ nos próximos 10 anos, tomando como base indicadores e informações do Observatório de CT&I em Saúde recentemente estabelecido. Para tanto será realizado no primeiro semestre de 2017 o I Seminário Oswaldo Cruz, voltado para a definição do plano institucional de CT&I.

 

# Apoio e aperfeiçoamento dos programas de estímulo à pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação para aumentar as sinergias e complementaridades necessárias para a resolução dos problemas tratados.

O planejamento dos programas deverá identificar necessidades de avanço do conhecimento na área biomédica, ciências sociais e humanas; do sistema e serviços de saúde; de desenvolvimento tecnológico e inovação; de capacitação de recursos humanos; de infraestrutura; e de comunicação em saúde; entre outras. O apoio não se limitará aos projetos, envolvendo também seu desenvolvimento e apropriação pela sociedade numa postura pública empreendedora e coletiva.

 

# Ampliação dos critérios de qualidade e impacto da produção científica e desenvolvimento tecnológico

Introduzindo novos indicadores, mais abrangentes e sistêmicos, para favorecer a transversalidade e a relevância na contribuição para a geração de conhecimento e resposta às necessidades sociais.

 

# Estímulo ao trabalho em redes

Envolvendo a Fiocruz como uma das instituições-âncora de destaque das redes nacionais de pesquisa e inovação, fortalecendo também sua inserção em redes regionais e globais.

 

# Estímulo à capacitação, em instituições nacionais e internacionais, de pesquisadores e tecnologistas

Facilitando a incorporação de conhecimentos e o desenvolvimento de novas plataformas e perspectivas de conhecimento, assim como interações com grupos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico nessas instituições.

 

# Modernização na gestão da inovação em seu sentido amplo (inovação tecnológica e socioinstitucional)

Reforçando a pesquisa translacional. Será estabelecida, com alta prioridade, uma interação entre as potencialidades da Instituição, as demandas e necessidades da sociedade e do SUS.

 

# Incorporação de avanços na gestão da instituição, ampliados pelo novo marco legal de CT&I

envolvendo política de compras, importações, levantamento de fundos para o investimento em pesquisa e inovação, participação em redes de conhecimento e em polos e parques tecnológicos, investimentos compartilhados com ICTs e com instituições do setor produtivo para aumentar a capacitação e reduzir a dependência científica e tecnológica do País. Definição da Política de Inovação da Fiocruz no primeiro semestre de 2017.

 

# Esforço permanente para a ampliação do financiamento público à saúde e às atividades de CT&I

Em particular, envolvendo uma atuação no nível gerencial e político.  A captação de recursos externos, sobretudo os internacionais, também deve ser estimulada para incrementar o desempenho da instituição, devendo-se inserir, entretanto, em um contexto no qual o alcance da missão institucional e de sua contribuição para a sociedade brasileira esteja garantido.

 

# O papel nacional da Fiocruz nas atividades de CT&I

Será enfatizado, superando-se falsas dicotomias entre as atividades nacionais e regionais. Uma das grandes riquezas históricas da Fiocruz foi saber lidar, em suas atividades de CT&I, com a diversidade do País como uma frente de oportunidades associadas a novos espaços que devem ser integrados no padrão nacional de desenvolvimento.  Para tanto será criado o Programa Pesquisador Sênior para o Desenvolvimento Institucional de CT&I Integrado em Âmbito Nacional.

 

# Promoção institucional e em âmbito nacional de uma postura ética na relação com os sujeitos, a coletividade e o ambiente

Evidenciando que o dinamismo científico, tecnológico e da inovação são convergentes com a garantia da cidadania, dos direitos e da inclusão social. Para tanto deverá ser retomado e consolidado o Comitê de Integridade da Pesquisa.

 

 

 

PROPOSTAS:

 

1. Aprovar a Política de Inovação na Fiocruz no primeiro semestre de 2017, em consonância com o novo Marco de Ciência, Tecnologia e Inovação.

 

2. Criar grupo permanente de trabalho para avaliar os limites do novo marco legal da CT&I, visando a flexibilização da política de compras, de importação de produtos e insumos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico e para o estabelecimento de parcerias com instituições de C&T e de produção nos parques e redes tecnológicas.

 

3. Elaborar um Plano Institucional de CT&I para um período de 10 anos, com base em prospecção tecnológica e nas prioridades do SUS, de modo a orientar as estratégias de captação e formação de RH e de modernização e ampliação da infraestrutura laboratorial e de plataformas tecnológicas.

 

4. Formatar um novo modelo de financiamento plurianual das atividades de CT&I, que considere fontes do próprio orçamento da Fiocruz, outras fontes públicas de fomento e financiamento, fundos de investimentos, entre outras fontes, de modo a garantir a sustentabilidade de programas e projetos de PD&I no médio/longo prazos.

 

5. Reforçar o PAPES como estratégia institucional de geração de conhecimento científico, de caráter abrangente, no sentido de propiciar maior acesso a todos os pesquisadores a esta linha de financiamento, incluindo jovens pesquisadores.

 

6. Reforçar os programas de indução a projetos de pesquisa translacional e desenvolvimento tecnológico, que articulem as complementariedades e sinergias entre as diversas unidades e atividades da Fiocruz tendo como objetivo a inovação em serviços e produtos para saúde.

 

7. Criar a Rede Fiocruz de INCTs (Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia), contemplando todos os grupos de pesquisa da Fiocruz habilitados como INCTs pelo CNPq, de modo a fortalecer internamente a estratégia nacional de mobilizar e agregar, de forma articulada, grupos de pesquisa em áreas de fronteira da ciência e em áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável do país; impulsionar a pesquisa científica básica e fundamental competitiva internacionalmente; estimular o desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica de ponta associada a aplicações para promover a inovação.

 

8. Instituir Programa de Apoio à Cooperação Internacional em Pesquisa, voltado para o incentivo à inserção de pesquisadores da Fiocruz em redes internacionais de pesquisa e ao estímulo a iniciativas de formação complementar em âmbito internacional.

 

9. Estabelecer um programa ativo de cooperação científica num modelo de acesso livre que permita a integração e o estabelecimento de redes de conhecimento para favorecer o avanço da pesquisa em saúde e seu uso pela sociedade.

 

10. Consolidar a cadeia de inovação, com aumento da sinergia e cooperação entre os institutos de pesquisa, os institutos tecnológicos, Biomanguinhos e Farmanguinhos, e o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), colocando estes últimos em um papel mais ativo na prospecção e apoio a projetos de pesquisa estratégica ou aqueles com potencial de desenvolvimento tecnológico nas unidades.

 

11. Criar o Programa Pesquisador Sênior para o Desenvolvimento Institucional de CT&I Integrado em Âmbito Nacional, visando assessoramento ao desenvolvimento dos atuais escritórios e para projetos específicos em processo de consolidação nas diversas unidades.

 

12. Formular e implantar Política Institucional de Produção e Experimentação Animal e Métodos Alternativos, a partir de grupo de trabalho com participação de unidades usuárias de animais de laboratório e do ICTB.

 

13. Atualizar o Sistema GESTEC-NIT, com aperfeiçoamento dos processos atuais e fortalecimento de uma postura inovadora para apoiar os pesquisadores e a inovação de modo proativo, buscando superar gargalos, atrair parceiros e estimular inovações organizacionais que viabilizem a aplicação dos resultados.

 

14. Organizar um Programa Institucional de Prestação de Serviços Tecnológicos Especializados, a partir da base tecnológica e industrial instalada, nos termos da experiência recente da instalação de Unidades EMBRAPII em Instituições de Pesquisa Científica e Tecnológica e na prestação de serviços para insumos científicos com base em plataformas de tecnologias.

 

15. Aperfeiçoar a gestão de recursos biológicos em consonância com a política institucional, fortalecendo as coleções biológicas e avançando na prestação de serviços em PD&I.

 

16. Implantar, em articulação com a Escola Corporativa da Fiocruz, programa de pós-graduação para formação de profissionais em gestão de tecnologia e inovação, em associação com centros de excelência, nacionais e internacionais.

 

17. Implementar a prática de gestão de portfólio de projetos estratégicos para a Fiocruz (com diagnóstico da expertise dos laboratórios e das linhas de pesquisa, definição de que etapas e atividades são descentralizadas nas unidades, metas claras para P&D, fomento por meio de editais de carteiras alinhadas de P, D&I e avaliação de projetos, monitoramento de resultados e prestação de contas).