Estudantes e trabalhadores lotam o auditório do Poli no debate com Nísia

Na manhã da sexta-feira, 07 de outubro, 110 estudantes e trabalhadores lotaram o auditório da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) para assistir à apresentação da candidatura Nísia e participar de um debate aberto. Ao dar as boas-vindas, o diretor do Poli, Paulo César de Castro Ribeiro, enfatizou que a campanha é um momento de fortalecimento da instituição, dentro da atual conjuntura, para fazer frente aos desafios que se anunciam. Após agradecer o acolhimento recebido, Nísia afirmou que o momento é fundamental para a para a discussão do projeto institucional da Fiocruz. “O Poli tem essa tradição de debater e discutir, seja na política educacional, seja no reforço de orientação de políticas para o SUS, a educação, a ciência e a tecnologia”, apontou a candidata.

O encontro teve início com uma breve apresentação da trajetória profissional e da campanha, enfatizando alguns dos pontos expressos na Carta Compromisso. “Centro este primeiro momento da nossa campanha num diálogo muito intenso om base no primeiro documento onde estabelecemos dez compromissos”, explicou, esclarecendo que construirá as propostas específicas com base nessa troca. Durante sua fala ela ressaltou dois pontos da Carta: a defesa do direito fundamental à Saúde e do SUS e a promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação em benefício da sociedade.

Considerando a Fiocruz como um patrimônio da sociedade brasileira, Nísia ressaltou que o grande número de votos brancos e nulos nas eleições municipais é um sintoma da crise política. Por este motivo para ela, as eleições na Fiocruz precisam ser um momento de resgate da política no alto sentido da palavra, com uma troca de ideias para um projeto coletivo com conteúdo, que tem um norte na defesa dos compromissos da carta política aprovada no sétimo congresso interno.

 “Crítica para mim é balanço e avaliação. Tem como base o enfrentamento dos nossos desafios, mas também deve ter algo essencial: a unidade da instituição frente a uma conjuntura que é uma das mais difíceis da nossa história”, afirmou Nísia, encerrando a apresentação da candidatura. Para ela, só será possível enfrentar a atual situação com um posicionamento claro, discernindo o que é divergência e o que é essência. “A minha essência é a defesa dos compromissos expressos na Carta e a defesa da Fiocruz e do seu papel, a valorização da cooperação internacional, especialmente com países da América Latina e da África, no compartilhamento dos saberes aqui produzidos numa visão de reciprocidade”, enfatizou, lembrando que nesta eleição 550 servidores votarão pela primeira vez. “É uma grande responsabilidade valorizar e respeitar o ambiente de debate de ideias nesse contexto”, ponderou.

No início do debate, Nísia comentou a reforma do ensino médio proposta na MP 746, afirmando que é preciso manter a coesão e trabalhar em torno do projeto de escola de ensino médio que desejamos “Não podemos confundir a flexibilidade com a segmentação, a escola só para alguns. Não podemos confundir a flexibilidade com a desconstrução da formação ampla no ensino médio. Ela é fundamental quando pensamos em um projeto de país que seja efetivamente inclusivo”, afirmou.

Além de questões como as consequências do novo regime fiscal proposto no PEC 241 e a formação dos trabalhadores de nível médio, o debate abordou também temas variados como:processo eleitoral na Fiocruz, programa de bolsas, incorporação social da biotecnologia, legalização do aborto, posicionamento da candidatura com relação à atual gestão, os mestrados profissionais, as relações de trabalho na Fundação, a acessibilidade para os portadores de deficiências, a terceirização, os cursos oferecidos pela UNA-SUS, a cooperação internacional e  o funcionamento da Fiotec, entre outros (os vídeos estão disponíveis no fanpage).

 “Na campanha vemos este debate como muito importante. O Poli tem uma atuação essencial na educação, trabalho e saúde”, afirmou Nísia durante sua fala de encerramento. Em seguida, fazendo referência ao slogan da candidatura, ela firmou que a ideia de construção é de algo que não está terminado. “É algo que vai se aperfeiçoando, mudando, numa visão mais integral e comprometida com a Instituição, no marco do que está colocado na nossa Carta. Além de compromissos e propostas queria passar a ideia de que a Fiocruz é importante, para o país e em termos internacionais, par pensar numa sociedade mais inclusiva, onde o direito à saúde conte com a ciência, a tecnologia e a inovação atuando efetivamente em benefício da população”, concluiu, deixando o Poli com o compromisso pré-marcado de um debate com o Grêmio estudantil.