Nísia em Brasília lota auditório para discutir propostas e é muito aplaudida

Nísia foi aplaudida durante sua fala, de forma espontânea, ao problematizar o mote necessidade de mudança”, tão usado em campanhas políticas. “Mudar é importante quando se tem clareza sobre o que é preciso mudar. Este chavão, tão apregoado em campanhas políticas em nosso país nos últimos anos, costuma ocultar o projeto de transformação pretendido”, alinhavou. E ressaltou: “Compromissos não são chavões, são norteadores de uma plataforma de ação, que não deve apenas responder, de forma fragmentada, a pontos específicos de unidades, setores, agendas. Deve explicitar o norte político institucional, tanto na condução daquilo que a instituição pretende entregar para a sociedade como serviço, quanto na forma de gerir internamente o orçamento, o trabalho, as agendas, a diversidade institucional

O auditório interno da Direb ficou lotado para o debate, dia 11 de outubro, que durou cerca de três horas. Trabalhadores foram chegando e alguns precisaram se sentar nas escadas ou ficar em pé. Após uma fala introdutória sobre os princípios de sua campanha e sobre pontos importantes - como a política de carreiras da Fiocruz, com destaque para a revisão do plano de carreira dos pesquisadores - Nísia respondeu às questões dos participantes. Foram três blocos com quatro perguntas cada um, comfalas complementares que se interpuseram durante a animada e produtiva discussão. 

A primeria questão levantada abordou a política institucional de cooperação internacional. Nísia enfatizou a importância desta área para a instituição, tanto do ponto de vista técnico-científico, quanto do ponto de vista da política de C&T e de cooperação internacional do país, assumida em acordos internacionais. Os trabalhadores também levantaram pontos sobre os desafios da  Fiocruz diante da PEC 241 e da crise política que o país atravessa. Reconhecendo a gravidade da crise,  Nísia sinalizou que a busca de recursos financeiros não esgota as estratégias institucionais, e que o investimento em uma gestão com foco na efetividade, na criatividade e na solidariedade, em parcerias internas e externas, apontam caminhos neste cenário adverso. Lembrou, ainda, que no passado a instituição também enfrentou momentos delicados, como nos governos Collor e FHC ou, indo mais longe ainda,durante a ditadura militar.

Ainda nesta linha de inquietação, foram levantadas questões sobre a interlocução da Fiocruz com o Ministério da Saúde e outros órgãos dos três poderes. Ratificando a Fiocruz como instituição pública de Estado e sua missão diante da sociedade brasileira, Nísia afirmou sua disposição, como gestora, de construir e promover a interlocução necessária para que a Fiocruz siga e intensifique seu papel de produção de conhecimento, tecnologia, inovação, ensino, produção de insumos para o desenvolvimento do país, saúde e qualidade de vida da nossa população e o fortalecimento do SUS .

Os participantes queriam saber também sobre a política institucional de integração dos novos concursados e trabalhadores. Nísia adiantou caminhos a serem intensificados, como a implementação de editais internos, a exemplo do Papes, no campo da pesquisa e ensino, voltados em particular para os recém-chegados. Aproveitou, ainda, para enfatizar a riqueza das experiências trazidas pelos cerca de três mil novos servidores, que renova e oxigena a instituição e permite aos veteranos refletir sobre a Fiocruz por meio de novos olhares. Outro ponto do debate foi em relação às críticas que, em geral, são feitas à “fragmentação da Fiocruz diante de agências de governo”, de fomento, etc. Nísia reconhece a importância de maior coordenação das agendas, mas lembrou a múltipla inserção institucional que segue além da saúde, a dinâmica do campo da ciência e tecnologia, além do necessário respeito e entendimento da diversidade e da autonomia das unidades.

O ponto alto do debate em Brasília, em especial para os recém-chegados, foi a possibilidade de dialogar e esclarecer o processo de construção do papel e das perspectivas futuras para a Direb. Questionada sobre a possibilidade de a Direb tornar-se uma unidade técnico-científica, Nísia enfatizou, a partir do regimento da Fiocruz, a importância estratégica da representação na capital federal. Representação pró-ativa, pautada na confiança construída com as assessorias e pela competência técnico-científica e da gestão. “A Direb é uma unidade estratégica que cresceu em importância, inclusive, na perspectiva da governança matricial e de maior interlocução, articulação e colaboração entre unidades com a criação do FUR”, destacou a candidata. No entanto, reconheceu na Escola Fiocruz de Governo um enorme potencial, principalmente, com o credenciamento do Lato sensu junto ao MEC e a oportunidade de articulação com a UNASUS.

As atividades de pesquisa, ensino, e relação com o território, entre outras, poderão, no futuro, segundo ela, demonstrar a necessidade de abrigar em Brasília duas unidades: uma de representação, outra técnico-científica. Porém, de forma coerente e sensata, Nísia apontou não ser este momento favorável à ampliação institucional. “É necessário solidificar o que construímos até então, inclusive na perspectiva da responsabilidade orçamentária e política na gestão. Não é momento político para revisão do regimento interno da Fiocruz”, acrescentou. 

Nísia foi aplaudida durante sua fala, de forma espontânea, ao problematizar o mote “necessidade de mudança”, tão usado em campanhas políticas. “Mudar é importante quando se tem clareza sobre o que é preciso mudar. Este chavão, tão apregoado em campanhas políticas em nosso país nos últimos anos, costuma ocultar o projeto de transformação pretendido”, alinhavou. E ressaltou: “Compromissos não são chavões, são norteadores de uma plataforma de ação, que não deve apenas responder, de forma fragmentada, a pontos específicos de unidades, setores, agendas. Deve explicitar o norte político institucional, tanto na condução daquilo que a instituição pretende entregar para a sociedade como serviço, quanto na forma de gerir internamente o orçamento, o trabalho, as agendas, a diversidade institucional”. Finalmente, reiterou sua posição em defender a escolha oriunda das urnas. Neste sentido, afirma que, caso fique em segundo lugar nas urnas, apoiaria a candidatura ganhadora, pois esta tem sido a posição ética dos candidatos na Fiocruz.

Encontro continuou de tarde em conversas com trabalhadores

Na parte da tarde, a programação continuou. Às 14h30, Nísia participou de uma roda de conversa com os novos trabalhadores da Direb, no Café Ciência e Cultura. Lá, escutou se inteirou sobre a percepção de quem chega com relação à instituição e os desafios da sua plena inserção e aproveitamento. Em seguida, visitou diversos espaços: começou com o setor de TI, onde conversou e respondeu às questões dos coordenadores da área, Fernando, Tharcísio e Júpiter. Falaram sobre orçamento para renovação periódica de hardwares e sobre o potencial da TI para a gestão matricial, em rede, mais eficaz, dentre outros pontos.

Visitou, também, o núcleo de projetos e área administrativa da Direb, onde pode conhecer o trabalho importante ali realizado e parte do seu corpo técnico, como Raphael, Clair, Paula, Geani, dentre outros. Em seguida, conversou com as "Monicas", duas assessoras parlamentares, cuja atuação inestimável deve ser ainda mais adensada no futuro.

Na coordenação de programas e projetos, conheceu o Programa de Saúde, Ambiente e Trabalho, onde conversou com seu coordenador, André Fenner, Virgínia e Bianca,  membros da equipe. Este programa elabora propostas de formação que dialogam com necessidades dos movimentos sociais e políticas públicas, como a gestão participativa e o controle social, e a política dos povos das águas e florestas, além de importantes contribuições à pesquisa sobre estes sujeitos na sua relação com o SUS.

Saudou, também, Denise Oliveira, coordenadora do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura, e conheceu Bruna, nova trabalhadora do programa. Nísia pode ter notícias “direto da fonte” a respeito do II Seminário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional”, promovido pelo Palin-Fiocruz e diversos parceiros nacionais e internacionais, dos dias 5 a 7 de outubro. Outro espaço que Nísia conheceu na coordenação de programas e projetos foi o Programa de Evidências em Políticas e Tecnologias em Saúde.

No terceiro andar, Nísia visitou a Assessoria de Comunicação, onde conversou com o coordenador Wagner Vasconcelos, com Daniel, Carlos e Mariana sobre a importância dacomunicação dentro da instituição como objeto de pesquisa, ensino e prática no diálogo com a sociedade e, desta forma, na formulação da Política institucional de Comunicação, que foi construída com a colaboração de todas as áreas da Fiocruz.

O último espaço percorrido foi Núcleo de Estudos sobre Bioética e Diplomacia em Saúde - Nethis/Fiocruz Brasília. Lá, saudou o coordenador, José Paranaguá, Roberta e Marina. Balanço muito positivo deste dia pleno na Fiocruz em Brasília.

 

Para assistir o video do debate entre na fanpage da campanha