Valorização da carreira e educação permanente pautaram o encontro com a analistas e tecnologistas

Desenvolvimento de carreira, valorização profissional e educação permanente. Foram estes os principais temas abordados no encontro entre a candidata à Presidência da Fiocruz Nísia Trindade e os analistas e tecnologistas da instituição. O debate ocorreu na segunda-feira, 7 de novembro, às 14h, na Tenda da Ciência. Dezenas de representantes das duas carreiras (que acumulam, juntas, quase metade dos servidores da Fiocruz) lotaram o espaço e aproveitaram para debater questões específicas com a candidata.

Nísia iniciou sua fala saudando o processo eleitoral da Fiocruz, ressaltando a importância do debate e da discussão, especialmente no momento atual – marcado por dificuldades orçamentárias e questionamento da atividade política, no sentido mais amplo. “Para a nova gestão, mais do que nunca, uma Fiocruz unida, em todas as suas carreiras, com todas as suas áreas de atuação, é fundamental”, disse.

A candidata ressaltou que o projeto que sua candidatura defende não é isolado e nem se restringe ao contexto interno da Fiocruz, mas representa um projeto para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para a Ciência e Tecnologia na sociedade “e que tem que ser exercido por todas as nossas carreiras”.

Nísia explicou que acompanhou de perto o primeiro plano de carreira construído para os analistas, na gestão de Carlos Morel, e foi testemunha de “como a Fiocruz foi importante para que não houvesse discriminação entre as áreas de pesquisa, gestão e tecnologia”. De acordo com ela, esse debate continua até os dias atuais, mas deve-se sempre ter a visão integrada das carreiras.  Nísia afirmou ainda que possui uma proposta clara de desenvolvimento de carreira, no compromisso 3 “Trabalho digno” (veja aqui http://nisia2017.blog.br/blog/trabalho-digno).

Educação permanente

Do mesmo modo que se defende a Educação Permanente como orientadora das carreiras que integram o SUS, esta proposta deve orientar as carreiras da Fiocruz, defendeu Nísia.  “Temos que reconhecer as particularidades no desenvolvimento da carreira, reconhecimento de saberes e competência realizados dentro da instituição e fora dos espaços formais de educação”, afirmou, salientando a importância do reconhecimento dos processos de aprendizagem que fogem ao modelo acadêmico tradicional.

Nísia afirmou também que é preciso fortalecer, aprofundar e ampliar a escola corporativa na próxima gestão.  “Até o momento houve uma ênfase muito grande em formação para gestão, que precisa continuar, mas sabemos que há áreas de formação a serem desenvolvidas na próxima gestão”.

A candidata elencou o trabalho institucional intenso da gestão atual na área, exemplificando o esforço para validar as especializações oferecidas pela Fundação e a proposta de implantação de um doutorado profissional – que a Fiocruz seria pioneira, como o foi com o mestrado profissional.  “Não é uma promessa, porque a Fiocruz faz isso junto com o Ministério da Educação, mas é um compromisso de trabalhar nesta direção. Considero a educação como um caminho de transformação e deve ser componente central da gestão”

Gestão democrática

A necessidade de construção coletiva de todos os trabalhadores, com discussão sobre a proposta de valorização da carreira, particularmente o Reconhecimento de Resultado de Aprendizagem-RRA, também foi abordada pela candidata. Ela lembrou a recente consulta pública para construção do modelo alternativo de incentivo à qualificação e desenvolvimento das carreiras de Tecnologistas e Analistas, e declarou que, caso seja eleita, irá aprimorar o modelo de gestão democrática da Fiocruz. “É necessário ter respeito às nossas instâncias, à autonomia dos Institutos, mas sempre de forma coordenada”.

Nísia Trindade reforçou que a sua candidatura é pautada na construção coletiva, do mesmo modo que deverá ser sua gestão, e que, mesmo tendo se dedicado a maior parte de sua vida ao compromisso com a Fiocruz, ela representa um projeto não-personalista, de valorização do papel da Fiocruz junto à sociedade.

Por fim, Nísia destacou que neste momento é necessário valorizar as qualidades da instituição, aprimorar os processos já existentes e inovar dentro das possibilidades. “A visão de uma boa gestão está colocada não para inventar a roda, mas de inovar onde a nossa criatividade nos permitir inovar, principalmente no momento de grande dificuldade. Este momento exige de nós coesão, unidade e responsabilidade”.