Educação para o futuro

Promover educação e divulgação cientifica para a ciência, a saúde e a cidadania

A Fiocruz exerce, no campo da educação, o duplo papel de formar quadros especializados para o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e contribuir para o atendimento das necessidades do Sistema Único de Saúde.

A formação, atração e fixação de profissionais é um dos pilares da estratégia nacional de ciência, tecnologia e inovação. Os países mais desenvolvidos são também aqueles nos quais é maior o investimento em educação de trabalhadores de modo permanente. Não há desenvolvimento de pesquisas pioneiras que gerem processos e produtos inovadores sem a formação de profissionais qualificados e comprometidos com o avanço do conhecimento científico.

No que diz respeito à formação para o SUS, o desafio de superar o modelo de atenção e de gestão em saúde requer a promoção de novas capacidades e tecnologias no campo da educação, pois partimos do princípio da indissociabilidade entre o modelo de atenção e gestão e os processos formativos do trabalho em saúde. A formação do trabalhador em saúde alinhada às necessidades da população é reveladora da implicação da Fiocruz com a reforma sanitária brasileira e a estruturação do Sistema Único de Saúde, com inúmeras iniciativas que buscam a formulação de novas práticas de saúde, tomando a educação como instrumento de inovação e parte essencial de sua formulação e implementação.

A difusão de conhecimento, como sua própria criação, socialização e organização, tem sido tomada como elemento que expressa o grau de maturidade e desenvolvimento social, na medida em que favorece a inclusão e o aprimoramento da cidadania. A popularização da ciência, sobretudo pela combinação de ações de comunicação, educação, divulgação científica e promoção da saúde, entendida como parte integrante do fazer científico, coloca-se como área estratégica da instituição e das atividades de ciência e tecnologia com a sociedade. O direito à educação, cultura, informação e conhecimento é um direito essencial à vida.

Experimentamos avanços importantes nesses campos nos últimos anos, que podemos sintetizar em cinco componentes centrais: expansão, qualificação, integração, fortalecimento institucional e internacionalização.

Expansão: Houve ampliação do quadro de programas da pós-graduação stricto sensu, contando hoje com 45 em todas as unidades, incluindo as amplas associações em parcerias com as universidades. São atualmente mais de 1.000 alunos de pós-graduação e formação em média de 200 doutores por ano. Houve também crescimento e fortalecimento dos Mestrados Profissionais.

Qualificação: Os programas de pós-graduação têm se qualificado academicamente a partir de ações integradas que envolvem diversos atores como os vice-diretores de ensino, coordenadores de pós-graduação, docentes, discentes, analistas e profissionais da gestão. Na FIOCRUZ, 30% dos programas Stricto sensu apresentam os mais altos conceitos da CAPES. Ainda, no último triênio um total de 50% de todos os programas Stricto sensu da Fiocruz tiveram aumento de conceito (11/22) que é o dobro da média nacional observada na CAPES que é de 23%.  Não obstante este resultado positivo, a instituição tem se empenhado em promover o debate e apresentar propostas para a mudança no sistema de avaliação, valorizando a qualidade e diversas formas de impacto dos programas de pós-graduação e da produção docente e discente.

Integração: Foi estabelecida uma clara estratégia de incentivar a cooperação entre unidades em ações solidárias para formação de mestres e doutores, como, para citar apenas exemplos recentes, os mestrados nas áreas de saúde coletiva e de medicina tropical no Piauí (ENSP e IOC), a parceria entre ILMD e IOC para o doutorado em ciências no Amazonas; e a parceria entre EPSJV e Biomanguinhos na realização do Curso de Especialização Profissional de Nível Técnico em Biotecnologia da Saúde. Também houve uma estratégia bem-sucedida de participar de novas organizações em rede a partir de formação presencial com usos de tecnologias a distância, como por exemplo a Fiocruz Rondônia na Rede Bionorte em biotecnologia, o RENASF (mestrado profissional de saúde da Família), organizada pela unidade da Fiocruz do Ceará. Outros exemplos foram o Mestrado Profissional em tuberculose, parceria da ENSP e do IAM e o Mestrado em Sistemas de Saúde, em Moçambique, parceria da ENSP com IAM.

Fortalecimento institucional: o credenciamento da Fiocruz como escola de governo pelo MEC foi um marco importante, uma vez que a instituição volta a certificar seus cursos de pós-graduação lato sensu, tanto presenciais como EAD.

Internacionalização: O ensino da Fiocruz também contribuiu para a cooperação internacional, na perspectiva de cooperação estruturante sul-sul em estratégias solidárias e participativas, como os mestrados oferecidos em países da América do Sul e países africanos de língua portuguesa, além da mobilidade e integração com pesquisadores estrangeiros a partir de cursos internacionais de curta duração e da recepção de alunos oriundos dos diversos países.

Cabe ressaltar que todos estes componentes são reforçados por estratégias de comunicação inovadoras, como são os casos do Portal Periódicos Fiocruz e o recém-inaugurado Campus Virtual Fiocruz, uma nova rede de aprendizagem, conhecimento e inovação para a saúde, voltada à educação em saúde. Neste ambiente virtual, pessoas e instituições parceiras compartilham plataformas, serviços e atividades, com base no uso intensivo de tecnologias de informação, comunicação e educação.

Mas ainda temos muito a avançar. Destacamos sete componentes centrais para avançarmos no compromisso de promover educação e divulgação cientifica para a ciência, a saúde e a cidadania.

# Mais Integração. A partir de parcerias e redes colaborativas, os programas da instituição podem apoiar-se mutuamente e responder, de forma sinérgica, às necessidades de formação do SUS, do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação e de países da América Latina e Países de Língua Portuguesa. Por isso, devemos seguir criando condições para a oferta compartilhada de disciplinas, aperfeiçoando o processo regulatório e regimental dessa iniciativa, aumentando a mobilidade dos docentes e discentes, investir no reforço à infraestrutura de comunicação virtual com WEB no " Campus Virtual " e vídeo conferência, através do " Comunicação a distância"  e estimular a orientação de alunos fora dos seus programas de origem.

# Redução das desigualdades em C&T. A Fiocruz, pelas suas características, pode contribuir para a diminuição das desigualdades regionais em relação à formação de mestres e doutores, levando o ensino de pós-graduação stricto sensu a regiões com menor densidade de doutores e contribuindo para sua autonomia científica e tecnológica.

# Internacionalização. É importante avançar com a estratégia de ofertar ações estruturantes para países da América Latina e Países Africanos de língua Portuguesa, privilegiando parcerias com instituições federais com o objetivo de fomentar a sustentabilidade e a autonomia dos países, bem como ampliar e qualificar as parcerias internacional, na perspectiva de constituição de programas internacionais integrados.

# Formação para o SUS: Reforçar os mestrados profissionais, os cursos de especialização e o processo de educação permanente, valorizando o que propiciam ao integrar visão da educação como formação humana e para a cidadania ao contexto de trabalho; reforçar a atuação institucional como secretaria executiva da UNA-SUS, construindo arranjos de cooperação das instituições partícipes, com criatividade e inclusão, e qualificando os resultados para o SUS e o Sistema de C&T. Ampliar e reforçar a Educação a distância, estimulando as parcerias e o trabalho em rede. Fortalecer os programas institucionais de Residência profissionais e multiprofissionais.  Apoiar as iniciativas relacionadas à formação de nível médio profissional e da formação dos Agentes Comunitários de Saúde, intensificando as ações do Grupo de Trabalho da Formação Técnica de Nível Médio, instituído na Câmara Técnica de Ensino. Apoiar a formação para o SUS fortalecendo a atuação em redes parceiras como a UNASUS, e, qualificando os resultados para o SUS e o sistema C&TI

# Utilização inovadora de Tecnologias educacionais: Incorporar novas tecnologias como elemento intrínseco à moderna formulação dos projetos de educação na saúde, superando a visão de seu uso como ferramenta para abrigar processos educativos diversos. Fortalecer estratégias de formação através de redes colaborativas para a qualificação continuada, considerando os distintos itinerários formativos, metodologias ativas e processos educativos diferenciados. Apoiar política de desenvolvimento de recursos educacionais abertos.  

# Divulgação científica para a cidadania. A elevação da qualidade da educação passa pela valorização da cultura científica por meio de ações que alcancem todas as camadas sociais. A educação cientifica da população deve ser ampliada e desenvolvida a fim de atingir as elevadas expectativas para todos, motivando os alunos à pesquisa e atraindo mais cidadãos para as carreiras de CT&I. Jovens de talento científico reconhecido devem ter suas práticas inventivas amparadas, de modo que o país supere divisões sociais profundas e promova desenvolvimento apoiado em CT&I.

# Defesa da educação pública, universal e de qualidade em todos os níveis de ensino. A educação deve portar um projeto societário justo, igualitário e emancipatório.  O direito universal à saúde, estabelecido pela Constituição de 1988, precisa ser assegurado e, no contexto atual, um dos principais riscos de retrocesso é a Medida Provisória 746 que estabelece a fragmentação do ensino, gerando iniquidades para os jovens brasileiros.

PROPOSTAS:

1.      Criar o Colegiado de Pós-graduação da Fiocruz, visando o estabelecimento do Sistema de Pós-graduação institucional, com objetivo de a) propiciar maior integração entre os programas, disciplinas compartilhadas, identificação de fontes de financiamento; b) promover intercâmbio de estudantes e melhor utilização de possibilidades oferecidas pelas agências de fomento, a exemplo da Escola de Altos Estudos da Capes; c) propor mudanças no sistema de avaliação da pós-graduação.

2.      Consolidar a Fiocruz como Escola de Governo em Saúde, valorizando os cursos lato sensu (EAD e presenciais) e a atuação em rede.

3.      Reduzir as desigualdades em CT&I mediante oferta de mestrados e doutorados interinstitucionais que leve o ensino de pós-graduação stricto sensu a regiões com menor densidade de doutores.

4.      Criar o Programa Institucional de Educação e Divulgação Científica, integrando as iniciativas existentes e consolidando parcerias, como as estabelecidas com a SBPC e o Instituto Ciência Hoje.

5.      Consolidar o Campus Virtual Fiocruz, fortalecendo seu papel como plataforma de integração e ampliação da visibilidade das ações educacionais da Fiocruz, assim como das ofertas EAD das Unidades, com uso de tecnologias e recursos educacionais abertos.

6.      Criar o Programa de Estágios Fiocruz sem Fronteiras, para possibilitar que estudantes de pós-graduação stricto sensu passem de um a três meses em alguma unidade da Fiocruz, localizada em outra cidade.

7.      Intensificar a política de acolhimento e apoio aos estudantes, principalmente estrangeiros e de outros estados.

8.      Integrar os programas de formação para a pesquisa – PROVOC, PIBIC, PIBIT e pós-graduação.

9.      Ampliar o papel da Fiocruz na formulação e implementação de políticas públicas para a educação em saúde em todos os níveis de ensino.

10.  Fortalecer iniciativas voltadas para a promoção e o estímulo ao desenvolvimento de atividades interdisciplinares nas escolas, a exemplo da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente, integrando ações de promoção da saúde e de incentivo ao desejo de aprender, conhecer, pesquisar e investigar.

11.  Constituir um fundo interno de financiamento para eventos e cursos científicos nacionais e internacionais, em especial, apoiar os chamados “hands on courses”, que permitem aos alunos fazer experimentos relativos a suas próprias dissertações ou teses ou estágios de pós-doutoramento. 

 

12.  Instituir o Programa Ciência, Arte e Cultura na Fiocruz, voltado para promover a interface entre ciência, arte e cultura no interior da instituição.

13. Finalizar o desenvolvimento do novo sistema e lançar nova Plataforma de Gestão acadêmica