Fiocruz do Futuro

Contribuir para a construção da Fiocruz do futuro

 
A Fiocruz, nos próximos quatro anos, deve valorizar ações que não apenas qualifiquem e ampliem o seu papel e sua importância no cenário científico e tecnológico em saúde no país e internacionalmente, como também siga aprimorando as condições que lhe garantam, no longo prazo, um futuro promissor, incluindo o cumprimento continuado de sua missão, o alcance da visão projetada e o reconhecimento da sociedade. Esta construção deve ser plenamente alinhada ao papel de instituição estratégica para o Estado e para a sociedade brasileira. Isto implica em pensar o futuro da saúde e do SUS, o futuro da ciência, da tecnologia e da inovação nas várias áreas que compõem a instituição. O compromisso de futuro da Fiocruz deve considerar a perspectiva da conquista da soberania do país no âmbito da ciência, tecnologia e inovação em saúde. 
 
Por isso, é fundamental que, como parte da construção do trabalho a ser desenvolvido durante os próximos quatro anos, possamos estabelecer cenários de futuro, que nos permitam antecipar questões relacionadas à pesquisa, à capacitação e à geração de insumos para a saúde, numa perspectiva de duas a três décadas.
Projetam-se significativas mudanças no plano demográfico-epidemiológico. A redução da taxa de fecundidade associada ao aumento da expectativa de vida determina uma realidade onde a proporção de idosos superará a de jovens, gerando profundos impactos sobre a carga de doença e sobre os serviços de saúde, com a demanda cada vez mais intensa por tecnologias baseadas no cuidado. Caso persistam alguns problemas estruturais básicos como o saneamento, a manutenção de condições e modos de vida inadequados e altos padrões de desigualdade, a insuficiência dos mecanismos que regulam os danos ao meio ambiente, a indústria de alimentos, entre outros modernos determinantes das condições de saúde, os riscos aos quais está exposta a população permanecerão se superpondo, amplificando os seus efeitos negativos sobre a saúde.  
 
Neste cenário, torna-se ainda mais importante pensar o futuro do nosso Sistema Único de Saúde. Infelizmente, este futuro encontra-se em risco, tendo em vista os atuais movimentos que tem como propósito reduzir os investimentos em saúde e ameaçam romper com a ideia de saúde como um direito universal. 
 
Preparar a Fiocruz para o futuro da ciência e da tecnologia em saúde é propósito fundamental.  Em praticamente todas as áreas do conhecimento, e em especial nas ciências biomédicas, os projetos de pesquisa têm se tornado cada vez mais complexos – por vezes mais caros e demandantes de melhores infraestruturas. É cada vez mais frequente trabalhos elaborados por um grande número de autores, vinculados a diversas instituições, muitas vezes organizados em redes ou consórcios. Neste contexto de diversidade e complexidade na geração de conhecimento científico e tecnológico e respectiva incorporação ao SUS, um dos desafios para os próximos anos é lidar com a enorme quantidade de dados que vêm sendo gerados diariamente. Neste contexto, o tratamento do chamado “big data” será fundamental. A Fiocruz deu um passo importante para lidar com este desafio com a recente construção da sala cofre e estabelecimento de uma nuvem Fiocruz. 
 
O futuro impõe abertura a cooperações e interações institucionais externas, nacionais e internacionais, de modo a gerar mais eficiência e efetividade na produção científica e no desenvolvimento tecnológico para o país. A construção de mecanismos cooperativos internos e externos são exigências para as próprias condições de desenvolvimento científico e tecnológico, de modo que, sem perder especificidades e características singulares, seja aumentada a capacidade de entregas, mediante cooperações virtuosas e valorizadas pela sociedade.
 
Toda essa dinâmica criativa para entregas à sociedade impõe igualmente mecanismos eficientes e sustentáveis. O futuro mais imediato e de médio prazo exige instrumentos e condições mais autônomas e seguras para sustentar o desenvolvimento institucional. O atual modelo de Estado, ao que tudo indica, subsistirá por ao menos alguns anos, não mais comporta o continuado desenvolvimento, ou mesmo a manutenção, do padrão institucional conforme conhecido na última década. A conquista de mais autonomia para a necessária sustentabilidade deve ser parte central do novo modelo de desenvolvimento institucional, sobretudo ampliando os mecanismos e instrumentos de captação e geração de recursos extras.
 
Importante que a preparação para o futuro em uma organização científica destaque a sua dimensão fundamental: as pessoas. Preparar-se para o futuro implica, acima de tudo, investir nas pessoas e na sua capacitação. Temos um contingente importante de jovens trabalhadores. Investir no seu futuro é investir no futuro da Fiocruz.
 
Nessa perspectiva, destacamos seis diretrizes centrais para avançarmos no compromisso de contribuir para a construção da Fiocruz do Futuro.
 
 
1. A prospecção de futuro, que nos últimos anos tem sido objeto de estudos por parte da instituição e marcadamente a partir da abertura do Centro de Estudos Estratégicos, merece esforço diferenciado, de modo que a instituição não apenas dispute e contribua com formulações de políticas públicas de Estado em ciência e tecnologia em saúde, mas que possa orientar as decisões quanto a áreas portadoras de futuro, a compor o próprio desenvolvimento e posicionamento institucional.
 
2. A geração de conhecimento, o desenvolvimento e a inovação cada vez mais dependem de cooperações, estruturas em rede e modelos abertos. A ampliação das relações institucionais no âmbito nacional e internacional, públicas e privadas, sem que se descaracterize a finalidade pública e social de suas entregas, é condição para o alcance de mais e melhores resultados.
 
3. Reforçar as prioridades e recursos para a qualificação profissional permanente, coerente com uma instituição fundada no conhecimento, nas competências e habilidades profissionais de seus servidores e colaboradores. A valorização profissional passa certamente pela criação constante de condições para o aprimoramento e crescimento profissional, assumido como estruturante para o desenvolvimento institucional e o compromisso das pessoas com as tarefas e entregas que a instituição assume com a sociedade. A constante incorporação de novos profissionais é parte desse compromisso, cuidando da renovação e enriquecimento da vida profissional institucional. Concursos qualificados, o fortalecimento continuado da Escola Corporativa e de outros mecanismos de qualificação, o desafio do aperfeiçoamento do plano de cargos e salários, com destaque para melhores mecanismos de incentivo, participação e recompensa, estão igualmente nesse contexto. 
 
4. Uma instituição que se prepara e constrói o futuro deve cuidar da sua infraestrutura técnica e operacional. Aqui há muito o que ser modernizado em termos de instalações e condições biosseguras e certificadas, para prover as melhores práticas de produção (pesquisa, desenvolvimento tecnológico, ensino, produção, atenção, gestão) e oferta de serviços. São exigências que obrigam a investimentos que modernizem nossos ambientes e instalações, tanto finalísticas, quanto de suporte direto, e que permitam à instituição ser diferenciada e estar na ponta tecnológica.  Grandes projetos estão na agenda e tornando-se realidade, já e ao longo dos próximos anos.  
 
5. Toda essa complexa e diversificada instituição exige uma gestão integrada e de elevado padrão, com percepção efetiva de benefícios a todos. Muito se avançou nos últimos anos e muito resta por ser aprimorado na gestão. Sobretudo condições de integração de sistemas, informatização em processos, são degraus ainda a serem superados, tomando-se em conta processos administrativos. Aprimorar as condições para compartilhamentos e complementariedades, aperfeiçoamento de escopos e ganhos de escala são outros pontos a serem destacados.  As conquistas na gestão de infraestrutura em TI, com as lógicas de compras compartilhadas, datacenter corporativo de alta performance, são exemplos que não apenas exigem novas etapas (redes Giga para todas as unidades, p.ex), mas devem ser praticadas em tantas outras frentes da gestão – compras, manutenção e toda a operação da infraestrutura e serviços internos, planejamento com monitoramento e prestação de contas, aprimoramento de controles e transparência, dentre outros.   
 
6. Finalmente e, como pilar para o desenvolvimento virtuoso para o futuro, a fundamental importância com o fortalecimento do alinhamento institucional.  Significa valorizar e destacar os papéis fundamentais e singulares das Unidades ao mesmo tempo em que o todo institucional se fortalece sinergicamente.  A diversidade interna da Fiocruz é dos seus maiores patrimônios, mas seguramente também encontra-se entre os seus maiores desafios o desenvolvimento interno harmônico e coordenado, o que impõe continuadas e crescentes interações e parcerias internas, horizontais/transversais. Os 10 compromissos apresentados, incluindo este, tratam de fortalecer a instituição globalmente. Especificamente, aprimorar o alinhamento interno impõe discurso de unidade, como ações que fortaleçam a integração e a coesão internas. Seja no campo da gestão geral, seja nos campos finalísticos, as cadeias internas de cooperação, plataformas, projetos em redes, demandam prioridade e ação, de modo que cada Unidade, ao cumprir seu compromisso com a sociedade, o faça de modo interativo e coordenado ao todo institucional.  

 

Propostas:

 
1. Instituir, a partir do Centro de Estudos Estratégicos, um núcleo de inteligência do futuro, que reúna especialistas de diferentes áreas da Fiocruz e externos, voltados para produzir e fornecer previsões, análises preditivas e estudos futuros como suporte ao desenvolvimento institucional e à tomada de decisões estratégicas de futuro e investimentos. O núcleo estaria voltado para detectar, interpretar e formular futuras tendências e mudanças decisivas na sociedade e identificar ameaças e oportunidades, de forma a orientar escolhas estratégicas. Este núcleo alimentará e será alimentado por diversas instâncias da instituição, incluindo entre outras as câmaras técnicas em nível de presidência e das unidades, assim como através de novos espaços de consulta, ausculta e participação da comunidade interna. Através de um processo continuado de desenhos de futuro, levando-se em conta as diversas dimensões acima citadas, e também as dimensões políticas e econômicas do país, teremos condições muito mais adequadas de exercer nosso papel de Instituição de caráter estratégico para o Brasil, particularmente nos campos da saúde e da ciência e tecnologia.
 
2. Estabelecer processo de preparação e realização do VIII Congresso Interno com o objetivo central de atualizar a visão de futuro institucional, tomando por base os princípios de integração e coesão institucional. O VIII Congresso deve estar organizado com base no diagnóstico da realidade atual e na prospecção do futuro institucional, mediante intenso processo participativo e considerando o conjunto dos compromissos, diretrizes e propostas expressas nesse programa.  O Centro de Estudos Estratégicos, a Diplan e todo o sistema de planejamento institucional, bem como o conjunto das câmaras técnicas, devem mobilizar todo o processo de preparação congressual, coordenado pelo CD Fiocruz.
 
3. Reestruturar o sistema de gestão e a organização da Presidência, de modo a elevar a capacidade de integração e coordenação interna e com o conjunto da instituição, propiciando tanto uma maior eficiência e agilidade executiva, quanto o maior alinhamento institucional frente o conjunto de prioridades e deliberações advindas tanto do Congresso Interno, quanto do CD.
 
4. Dinamizar e ampliar os instrumentos e espaços de consulta, ausculta e participação da comunidade interna, através de mecanismos sistemáticos de prestação de contas e audiências públicas, ampliando a comunicação interna e possibilitando maior conhecimento e compartilhamento sobre os rumos do desenvolvimento institucional, incentivando que tais instrumentos e práticas sejam mais disseminados no conjunto das unidades. 
 
5. Promover maior integração entre as diretorias executivas da presidência, aprimorando o padrão de serviços destas para o conjunto da instituição, integrando processos e gerando tanto maior agilidade quanto economias de escopo e escala.
 
6. Seguir aprimorando a infraestrutura e serviços de TI, assumidos como dimensões estratégicas e fundamentais a possibilitar qualidade, excelência, continuidade e segurança ao conjunto das atividades institucionais
 
7. Sistematizar e alinhar o conjunto de proposições técnico-operacionais relacionadas às grandes intervenções já planejadas, como os empreendimentos para as diversas unidades, ajustando-os aos planos diretores de desenvolvimento, tanto do campus de Manguinhos, incluindo o Plano de Ocupação da Área Preservada – POAP, como os planos dos demais campi.