Nísia Trindade Lima

 

Nísia é doutora em sociologia, mãe de André e Márcio, avó de Bento, e uma das filhas de Nivaldo e Marina (somos três irmãos). Nasceu em 17 de janeiro de 1958, no bairro do Flamengo, Rio de Janeiro, onde cresceu. Servidora da Fiocruz há quase três décadas, é, hoje, vice-presidente de ensino, informação e comunicação da fundação e professora do Programa de História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). É também professora adjunta de sociologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Integra o conselho editorial de prestigiadas revistas científicas e é pesquisadora de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Premiada diversas vezes, participou da organização e autoria de quase duas dezenas de livros.

Ainda jovem, enquanto cursava Ciências Sociais, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), teve sua primeira experiência política, participando da construção do Centro Acadêmico de Ciências Humanas da universidade e aderindo ao Movimento Estudantil, em defesa da democracia. Recém-graduada, durante os anos 1970, atuou como professora em escolas públicas da Baixada Fluminense. Em 1982, às atribuições de mãe e docente, soma-se um novo papel: aluna do mestrado em Ciência Política e Sociologia, no prestigiado Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), hoje Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj. 

Nísia

Em 1987, com apenas 29 anos e já mestre, ingressa na Fiocruz como pesquisadora do quadro de pesquisadores da COC. A Fundação e o Brasil vivem, então, um momento histórico importante: com a redemocratização, sob a gestão do sanitarista Sergio Arouca, foi possível (re)criar programas e estruturas internos. A realização do 1º Congresso Interno, em 1988, marco da moderna Fiocruz, contou com Nísia como relatora, demonstrando, desde o início de sua carreira, o interesse pelos rumos da Fundação e seu papel junto à sociedade.

Nos anos 1990, enquanto o SUS nascia e tomava forma, Nísia avança em sua trajetória acadêmica e profissional: tornou-se professora do curso de Sociologia da Uerj na Baixada Fluminense, concluiu seu doutorado no Iuperj - sua tese foi premiada pelo instituto e originou o livro “Um sertão chamado Brasil” -  e ocupou os cargos de chefe do departamento de pesquisa, vice-diretora e diretora da COC/Fiocruz. Nesta unidade, como produto de sua crença na integração entre saúde, ciência, cultura e sociedade, participa da criação do Museu da Vida.

Já na primeira década do novo milênio, Nísia assume a coordenação de eventos importantes como as atividades da Fundação nas comemorações dos 500 anos da descoberta do Brasil e do Ano do Brasil na França, além de estar à frente, por duas vezes, da coordenação nacional da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente. No período, atuou ainda como membro do conselho editorial da Editora Fiocruz, do comitê científico e da comissão executiva do 4º Congresso Mundial de Centros de Ciência e da comissão organizadora de eventos integrantes da comemoração do centenário da descoberta da Doença de Chagas. Participou da criação do curso de especialização em história da saúde na Amazônia, em parceria com o Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazonas), e do Programa de Pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da COC. Foi também uma das responsáveis pelo início da parceria com o governo federal para incrementar as políticas de preservação do patrimônio cultural da saúde, concentrado, em larga medida, nas próprias edificações da Fiocruz. Nesta década, Nísia foi indicada ainda como finalista do Prêmio Jabuti com a obra “Louis Pasteur e Oswaldo Cruz: tradição e inovação em saúde” e recebeu as medalhas do centenário da Fundação Oswaldo Cruz, Euclides da Cunha e em comemoração dos 110 anos de fundação da Academia Brasileira de Letras. Também foi agraciada com o prêmio “Destaque do Ano em orientação de iniciação científica”, do CNPq.

A partir de 2011, à frente da vice-presidência de ensino, informação e comunicação (VPEIC/Fiocruz), torna-se membro do Conselho Consultivo do Sistema Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS), que tem como objetivo a educação permanente dos profissionais do SUS, e coordenadora das Semanas Nacionais de Ciência e Tecnologia da Fiocruz. Já em 2012,  integra o grupo de trabalho para implementação da Fiocruz Piauí e inicia o trabalho de negociação para implementar a Rede SciELO Livros - hoje no ar com milhões de downloads e com forte protagonismo da Fundação.  No contexto do compromisso com a democratização do conhecimento e do acesso à informação, sob sua gestão, são lançados o Programa de Apoio às Bibliotecas Virtuais em Saúde, o Repositório Institucional da Fiocruz  (Arca) e as políticas institucionais de acesso aberto e de comunicação. Ainda nos anos 2010, a Fiocruz é designada como centro colaborador para saúde global e cooperação sul-sul da Organização Mundial de Saúde (OMS), recebe o prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, é credenciada como Escola de Governo e prepara-se para lançar o Campus Virtual de Saúde Pública e o Observatório em Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde. No período, também foi implementado o mestrado profissional em rede, em parceria com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), e a Fiocruz assumiu a coordenação da Rede de Apoio à Inovação do Ensino na Saúde, iniciativa governamental que tem como objetivo assegurar o apoio ao programa Mais Médicos.Em 2015, Nísia recebe o prêmio Nise da Silveira, na categoria mulher cientista, pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Prefeitura do Rio de Janeiro. 

Neste ano, no contexto do enfrentamento à emergência sanitária global em decorrência do vírus zika, e com o objetivo de colocar centralmente a dimensão humana na busca de soluções para este problema, a gestão de Nísia cria o programa integrado de pesquisa Rede de Ciências Sociais e Zika da Fiocruz.

 

A trajetória de Nísia reflete seu projeto para a Fiocruz do século XXI: uma instituição sólida, de atuação em todo território nacional, em prol de um Brasil mais justo e equânime construída por todos.

 

#nisia2017